O valor do ensino da matemática já foi contestado ou relegado a um papel menor em vários períodos ou constelações sociais. Nos tempos atuais, repara-se tais contestações na esquerda politica desde os movimentos estudantis dos anos 1960 e 1970. É notável o impacto das análises do sociólogo alemão Jürgen Habermas (1929-2026) sobre o capitalismo. Para ele, a matemática, serve aos interesses de poder e de exploração inerentes ao capitalismo.
Para a Esquerda na América Latina, o conceito de decolonialidade torna-se cada vez mais divulgado e utilizado para analisar concepções de conhecimentos. Trata-se de uma crítica radical à “matriz de poder colonial” exercida pelas potências europeias que impõem os modos ocidentais a outras culturas e sociedades. Constrói-se uma dicotomia profunda entre o global e o local.
Na educação matemática, a matemática torna-se emblemática como um modelo epistémico de uma modernidade EUA-eurocentrista, atuando nas universidades.
O minicurso propõe a análise de textos que apresentam os conceitos de decolonialidade e uma crítica a uma noção de eurocentrismo da matemática:
- críticas anteriores na sociologia
- as diferenças entre os poderes imperialistas ao colonizar as ciências, e em particular, a matemática.
Por outro lado:
- a matemática no período pós-colonial na construção dos países descolonizados
- na dicotomia entre o global e o local debater as etnomatemáticas como práticas decoloniais; as contribuições de Paulus Gerdes.
Gert Schubring
- Universität Bielefeld / Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Palavras Chave: racionalidade instrumental; decolonialidade; eurocentrismo; global versus local; etnomatemática; Paulus Gerdes